sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bruce Campbell- O Ator Mais Azarado de Hollywood


Antes de seguirem adiante com o texto, uma pequena informação do Autor em Crise: Este texto foi escrito pelo amigo/artista Xan em 14 de Agosto de 2009 para o e-zine Asfixia. Resolvi publicar o texto por aqui porque ele foi muito bem escrito pelo Xan (de fã para fã) e contém ótimas informações para quem nunca ouviu falar do ator. Talvez eu também escreva algo sobre o Bruce Campbell futuramente, mas este não é o momento (ainda mais porque considero este texto escrito pelo Xan bem completo. O Xan conseguiu sintetizar muito do que eu tinha a dizer sobre o ator em seu belo texto.). Por enquanto, em se tratando de Bruce Campbell continuarei a escrever sobre os seus trabalhos, como fiz nas postagens sobre a trilogia Evil Dead e Bubba Ho-Tep, mas sobre o ator em si vai levar um bom tempo para eu escrever algo. Enfim, leiam o ótimo texto escrito pelo amigo Xan! :) Tá foda pra K-Ray!

Eu poderia começar este texto afirmando que Bruce Campbell é para Sam Raimi o que Johnny Depp é para Tim Burtom, mas isso seria uma enorme incoerência. Não esqueçamos que tratamos aqui neste texto, do astro mais azarado de Hollywood. Ele não tem um rostinho bonitinho, juvenil ou andrógeno, que venha a garantir o sucesso imediato em qualquer tipo de produção, vindo esta a exigir muito de sua capacidade como ator ou não. Ele tem uma baita cara de macho, ostentando um enorme queixo – marcado com uma cicatriz em forma de L, adquirida numa briga que teve com o irmão quando jovem -, grossas sobrancelhas, além de um olhar insano e ao mesmo tempo engraçado.

Raimi e Campbell eram amigos dêsde muito cedo, a origem dessa amizade deu-se antes de Bruce se enveredar no universo cinematográfico, quando ele fazia bicos como baby-sitter. Em algum de seus trabalhos ele teve de cuidar do irmão mais novo de Sam Raimi, tratava-se de Ted Raimi, outro brilhante ator que futuramente participaria de diversas produções junto de Bruce.

Em 1975, tudo parecia uma grande brincadeira, Sam Raimi com sua galerinha, bolava várias histórias sinistras e as filmava em Super-8, Bruce estava lá. Em 1976, Campbell teve a oportunidade de trabalhar como aprendiz “voluntário”, ou seja, ele não ganhava dinheiro, na produção de Traverse City’s Cherry County. Não perdendo tempo, logo estava lá aquele rapaz alto, franzino e esquisito, observando tudo nos bastidores da produção, ajudando na montagem de sets e até servindo como garoto de recados. Depois que conseguiu um emprego como assistente de produção de uma produtora de comerciais, Bruce largou o curso que fazia na Universidade Western Michigan.

Suas produções independentes com Raimi não pararam, e em 1979 fizeram Within the Woods, que é um curta de terror muito bizarro, com Bruce como protagonista, passando com uns amigos um final de semana em uma casa no meio do mato, onde coisas muito bizarras começam a acontecer depois que “Bruce” – esse é o nome de seu personagem – encontra um punhal enterrado no bosque. O resultado agradou tanto a equipe que logo arrumaram com pais, vizinhos e até rifas, fundos para o longa-metragem que arrebataria Sam Raimi e Bruce Campbell para o estrelato. The Evil Dead foi feito com o orçamento de $ 350.000, ganhou status de Cult e foi o filme mais vendido na Inglaterra em 1983. “O filme de terror mais atrozmente original do ano” foi com esse elogio de Stephen King no festival de Cannes, que o filme ganha maior projeção e logo em seguida foi distribuído aos EUA pela New Line Cinema.

Aí deveria ser a parte em que todos os caminhos apontaram par um Oscar, mas não foi. Após as filmagens de The Evil Dead 2 Bruce mudou-se para Los Angeles e começou a se envolver em produções de baixo-orçamento como Missão Lua – A Viagem Do Terror e Maniac Cop. Apesar de sempre fazer testes, mas nunca sendo escalado para grandes produções. Protagonizou em um seriado de faroeste chamado The Adventures of Brisco County, Jr produzido em 1993 com um total de 27 episódios, a série conta a trajetória de vingança de Brisco Jr, que larga a profissão de advogado decide virar pistoleiro após o assassinato de seu pai, para vingá-lo. Começou a fazer pontas em vários filmes e séries de sucesso na época, era o Autólycus no seriado do Hercules: The Legendary Journeys, e dirigiu alguns episódios desse e de Xena: Warrior Princess, além também de trabalhar como dublador.

Em sua longa lista de filmes, algumas produções merecem destaque, como “Bubba Ho-Tep”, filme baseado no premiado conto de Joe R. Lansdale. No filme Elvis Presley (Bruce Campbell) e John Kennedy (Ossie Davis) estão vivos, e moram em uma casa de repouso. Cansado das badalações de sua carreira, Elvis trocou de lugar, no passado, com um imitador, o que explica a decadência do astro até sua morte inevitável, e JK ficou sabendo que pretendiam matá-lo e para ficar salvo no local, foi pintado de negro pela CIA. Os dois juntam- se para livrar o mundo de uma ameaça terrível, uma múmia que desperta no hospital e se alimenta de almas. O filme de 2002,foi em sua maioria filmado no hospital “veteranos abandonados” fora de Los Angeles. A KNB Effects concordou fazer a composição de Bubba Ho-Tep e o traje como um favor para Don Coscarelli, Diretor do filme. Outro filme que vale a pena conferir é, My Name is Bruce (2007) onde ele dirige e atua, interpretando uma versão estereotipada de si mesmo. O filme conta o “seqüestro” de Bruce por adolescentes desesperados vindos de uma cidadezinha do interior em que, segundo eles, há um monstro real. Bruce então é forçado a interpretar Ash e aniquilar a criatura. O filme é extremamente divertido, e parece uma resposta do próprio Bruce ao mundo que sempre cobra dele o retorno as telas do maior caçador de demônios do universo.

A Franquia Evil Dead

O primeiro filme The Evil Dead (A morte do demônio, título em português) é trágico. Ash Williams (Bruce Campbell) vai com sua namorada Linda e alguns amigos para uma cabana nos bosques do Tennessee, passar um fim de semana romântico, porém depois de encontrarem umas páginas misteriosas de uma livro antigo (Necronomicon) e um gravador – com fitas velhas narrando uma espécie de diário de um cientista que estudava o livro – eventos sombrios começam a ocorrer. O filme é magistralmente dirigido, Raimi aproveita bem, todos os elementos que dispõe, dos pântanos lamacentos as portas, janelas e os móveis decrépitos que ornam o ambiente. Mesmo com muito humor negro, é um grande desafio para pessoas mais sensíveis assisti-lo sozinho numa madrugada silenciosa. Repleto de lances e cortes de câmeras estratégicos, atuações bizarras (rostos deformados sorridentes, te encarando e dizendo que vão devorar sua alma!) e amedrontadoras dos personagens que são “tomados pelo mal” além de muito stopmotion, sangue e carnificina, um detalhe especial do filme é quando uma das garotas é estuprada na floresta, por galhos de árvores. O filme não tem um final feliz, encerando com Ash (o ultimo que havia sobrevivido ate então) morto depois de pego pelo misterioso monstro, representado nesse primeiro filme apenas pela visão em primeira pessoa da câmera.

O segundo filme Evil Dead 2 (Uma Noite Alucinante) é uma versão alternativa do primeiro. Ash agora vai a cabana apenas com sua noiva. Os mesmos elementos que cercam a maldição estão presentes. O mal é despertado após ouvirem pelo gravador antigo, passagens do Necronomicon, livro dos mortos, apenas a passagem certa, recitada de forma correta pode mandar o Mal ao seu devido lugar. Sua noive é possuída pelo espírito maligno e força Ash a matá-la decapitando-a. Porém é depois disso que o terror verdadeiro começa para o desafortunado rapaz, todos devem lembrar deste filme por causa da batalha que Ash trava com sua própria mão, sendo ela amputada após tomar vida própria ao ser mordida pela cabeça decepada e igualmente viva, de sua noiva.

Neste filme em especial, a atuação de Campbell está fora de serie, com o desenrolar dos acontecimentos bizarros seu personagem vai passando por intensos momentos nervosos que nitidamente quase o levam a loucura. Diferente da banalidade que certos personagens aparentam em filmes atuais que retratam situações semelhantes, Ash responde a o mínimo de barulho no decorrer do filme com uma tensão brutal. O ápice desse comportamento é na cena em que, exausto de tudo o que o está apavorando, Ash resolve sentar-se em uma cadeira, e a mesma quebra, a câmera enquadra então a cabeça de um alce que está como um troféu de caça na parede, de repente a cabeça começa a rir da queda de Ash. Segue-se então a cena com praticamente todos os móveis gargalhando ao redor de nosso atormentado herói, e o mesmo, tomado pela insanidade, compartilha da graça das inanimadas criaturas e começa a rir, provocando ainda mais risada no espectador quando ele interage com o abajur, imitando os movimentos do mesmo. O segundo filme tem muitas referências requintadas ao primeiro, há novamente a cena de estupro, provocada por galhos, e uma outra cena clássica, é o momento em que Ash é pego pelo monstro, representado pela câmera. Nessa cena Ash novamente é praticamente devastado pelos caminhos que o monstro o leva, e depois de se chocar violentamente contra uma árvore, ele é jogado, como no primeiro filme, de cara numa poça de água, porém, diferente do primeiro filme, depois de longos segundos, ele ergue-se, com o rosto totalmente deformado, e gritando de forma furiosa. Este é o momento que o roteiro nos mostra a exata divisão da segunda história coma primeira. A partir deste ponto o espectador não sabe mais o que ocorrerá, isso se ainda tinha certeza quanto a tratar-se do simples remake do primeiro filme. Quanto a efeitos, sanguinolência e humor negro, o segundo não perde nada pra o priemiro, até ganha com interpretações mais maduras por parte dos quadjuvantes. O Filme se encerra com nosso azarado herói, sugado junto da criatura que representa o Mal, por uma espécie de portal, ele acaba parando na Idade média, dando assim gancho para uma continuação.

O terceiro filme é o Evil Dead 3 Army of Darkness(Uma Noite Alucinante 3), Apesar de exagerar muito, na comédia, tem seu valor. Ash agora já não é o cara perturbado que mata demônios para sobreviver, e sim uma espécie de anti-herói que destrói demônios, bem, ainda porque não tem escolha, mas desta vez com mais prazer no que faz. Apesar do humor ser o carro chefe deste filme, o comportamento de Ash não poderia ser diferente. Ele evoluiu no que faz, e a forma debochada e atrapalhada de resolver os problemas o caracterizam de maneira singular. Neste filme o grande vilão é o seu lado mal, que toma vida e separa-se dele. Agora, limpo, Ash pode conduzir um grupo de destemidos cavaleiros medievais a vencerem as criaturas.

A franquia sai do cinema e da respaldo para a criação de vários jogos de videogame, e até quadrinhos. Há várias sagas em quadrinhos em que Ash protagoniza, existe uma no universo Marvel, que teve inicio nas revistas do quarteto fantástico, em que todos os heróis do mundo Marvel tornam-se zumbis. Ash acaba caindo, literalmente, nessa saga, e depois de tentar alertar os justiceiros, é desacreditado por eles e acaba mais tarde tendo de dar cabo de todos os heróis. Escrita por Robert Kirkman, esta saga é cheia de referências aos filmes, principalmente pelo humor negro.

Durante muito tempo, houveram vários boatos sobre uma continuação de Evil Dead para os cinemas, e até um crossover de Ash contra freddy krueger e Jason, esta história existe apenas em quadrinhos, roteirizada por Jeff Katz e o desenhista Jason Craig.

Apesar de não protagonizar em grandes produções, Bruce Campbell rouba a cena sempre que faz uma pontinha no blockbuster que mais rende dinheiro atualmente, tirando Harry Poter, Homem-Aranha. Suas pontas são sempre memoráveis, e eu pessoalmente fico ansioso para ver onde e quando ele ira aparecer, quando sai mais um filme da franquia. No primeiro Spider Man Bruce é o Narrador das lutas undergrounds. É ele quem da o nome de Homem-Aranha após discordar da criatividade de Peter Parker, ao se anunciar como “Aranha-humana”. No segundo filme ele está na portaria do teatro onde Mary Jane está se apresentando, e barra a entrada de Parker, e no terceiro filme, ele participa de uma das cenas mais engraçadas que eu vi nos cinemas, sendo o Gerente “francês” do restaurante, ele trama com Peter Parker o momento de pedido de noivado a Mary Jane.

Extremamente Carismático Bruce Campbell é ator, diretor, dublador e escritor – Possui um livro autobiográfico intitulado If Chins Could Kill: Confessions of a B Movie Ator além de outro romance publicado Make Love the Bruce Campbell Way. – um homem muito versátil e vê-se de longe que ama o que faz, no inicio ele se incomodava mais em não ter grandes papeis dramáticos em seu currículo, mas depois que compreendeu que nem só de grandes produções vivem nós reais cinéfilos, desenvolveu até um bordão que usa com freqüência.

Por um longo tempo eu ficava constrangido ao dizer que eu era um ator de filme “B”, mas agora eu sei o que Hollywood quis dizer. Eu descobri que o “B” quer dizer better.”

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