quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre coisas que o povo diz



Hoje estive presente no Bardallos Comida e Arte para conferir a vernissage da exposição Sobre coisas que o povo diz da querida amiga/artista Clarissa Torres. Assim que cheguei, encontrei logo de cara a amiga/artista Yara e sua irmã Mayara. Foi legal rever estas moças adoráveis que me fizeram companhia nesta noite agradável. Colocamos a conversa em dia (como o final do Wolverine Imortal ser uma droga, por exemplo), rimos bastante e ficamos fazendo as nossas análises dos trabalhos da Clarissa tentando descobrir qual era o dito popular relacionado a cada uma de suas obras. Oh sim não posso esquecer de recomendar o suco de melancia com limão do Bardallos! Muito bom! Eu não me lembro exatamente quem acertou mais de nós 3 quando tentávamos adivinhar os trabalhos, mas lembro que consegui acertar uma! Cara se o Caetano estivesse sentado com a gente ele estaria uma meia hora falando: " Como você é burro cara! Que loucura isso!" Enfim, foi divertido! Um falava de um trabalho, aí o outro dizia: "Não, não é isso! é óbvio demais! Clarissa deve querer dizer outra coisa com isso", daí a gente pedia uma pista pra Clarissa por causa da burrice para compreendermos melhor o sentido de todos os trabalhos e daí vinha o estalo (onomatopéia de snap) e acertávamos (ou errávamos feio) o nome da obra.

Ei você tá indo pra onde moça? Eu só falo dos quadros lá embaixooooo!

 
Ownnn que lindas!

Hummm deixe adivinhar aquele...

Macaco velho fica com o rabo preso?

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Como você é burro!

Em terra de patos quem tem coroa é rei?

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Acertei?

Lembram que eu acertei uma? Foi esta daqui que acertei!

Esta obra é bem mais que um ditado popular e tudo que a Clarissa falou não cabe em uma legenda


Clarissa é o tipo de artista que nunca faz nada ao acaso e cada obra sua possui uma identidade. A temática desta exposição pode ser um pouco diferente, mas todas as obras remetem ao circo, aos freaks, aos estranhos que...  Tentem visualizar a seguinte cena que irei descrever. Uma exposição da clarissa é como ir a um circo. Você entra e cada uma daquelas obras presentes ali é como fosse um pequeno freak. Ele está lá exposto da forma que a Clarissa criou e cada quadro é como um freak em uma jaula. As pessoas irão olhar pra ele, irão rir, achar estranho, se questionar do porquê dele estar ali, enfim as reações são as mais variadas possíveis (e eu não estou querendo adivinhar sobre as coisas que o povo diz, não sou bom com adivinhações). Se vocês enxergarem desta forma é um espetáculo cruel e triste. Mas aí vocês também estariam sendo superficiais, pois como disse anteriormente (lááá em cima) Clarissa não é óbvia demais e quer dizer algo além disso. É tudo o que eu disse mas ao contrário. O circo é uma família e cada um dos quadros é como um filho da Clarissa. Uns nasceram antes outros depois mas todos eles são tratados com carinho e cada um desempenha o seu papel no circo. Se alguém tentar zombar ou fazer pouco caso deles Clarissa sabe como argumentar e defender cada uma de suas crias. As exposições seguem. E nem todos os filhos continuam nas exposições seguintes mas eles deixam uma grana pra ajudar sua mãe e para que o espetáculo não possa parar (o espetáculo nunca pode parar). Quando eu afirmo que Clarissa é a mais fodona em atividade no estado não é ao acaso. Existe uma grande dificuldade que vejo no artistas visuais não só daqui mas de outras partes do mundo que é a de provocar um diálogo com a obra. Fazer com que as pessoas olhem aquele quadro e não o enxerguem como um monte de tinta em uma tela ou aquela "coisa bonita que vai ficar legal enfeitando a minha casa". E Clarissa sabe provocar este diálogo com suas obras de maneira inteligente e questionadora. Não é apenas um diálogo silencioso mas um espetáculo circense bem barulhento! Existe sempre algo mais profundo que gera este diálogo e o que Clarissa tem a dizer sempre é algo além do que seus olhos podem ver ou que as palavras possam descrever. E quer saber? As obras da Clarissa são capazes de revelar que o grande freak deste espetáculo é você!

Esta é a minha arte favorita da exposição!

Isso mesmo! Use os olhos de tigre para caçar!

The most sad eyes... Again to your eyes!

A alegria da descoberta!

E a descoberta foi o dito popular relacionado a estas artes

Clarissa é uma pessoa encantadora e uma artista muito fodona. Ela realiza suas artes de uma forma tão inteligente e sensível que, mesmo o lugar sendo movimentado, com música, comida, bebida e tudo mais as pessoas conseguem dialogar com a arte dela. A escolha inteligente do tema sobre as coisas que o povo diz permitiu uma identificação direta com o imaginário popular enraizado em nossa cultura. Este  foi um dos diversos temas pertinentes em nossas vidas estudado e registrado no livro de mesmo nome da exposição escrito em 1968 pelo folclorista Câmara Cascudo. E falar sobre cultura é o que menos tem acontecido em nossos poucos espaços culturais que restam em Natal. Cara, eu fico imaginando o quanto o Câmara Cascudo ficaria emputecido com a atual situação em que se encontra a cultura no estado e os espaços destinados à divulgação da cultura potiguar. As coisas boas realmente só acontecem por iniciativas como a da Clarissa e de lugares que se permitem arte no cardápio como o Bardallos. E cada vez mais são poucos os artistas que se permitem a passar uma situação vergonhosa ou levar um calote dos atuais gestores da cultura no estado  (que não entendem nada de cultura a propósito) e a atual política de eventos.

Pois é Cascudo se espera iniciativas culturais do governo local... Espere na rede mesmo!

 
Compreendem o significado desta arte? Não e um dito popular mas faz parte da nossa cultura

 
 Já voltou? Agora que você caiu de paraquedas aqui não sei o que escrever!

O espaço do Bardallos é bem aprazível e tem umas bebidas legais como o suco de melancia com limão que parece acerola. Todas as pessoas que trabalham no lugar são bem humoradas e a forma como o espaço é utilizado é um espetáculo à parte. Acho que uma das melhores sacadas do espaço é o telão projetando imagens das chanchadas com Oscarito, Grande Otelo e outros grandes nomes da época. Eu acho ótimo porque a galera dos filmes é bem mais animada que a galera que estava no bar. Se as coisas estivessem chatas bastava olhar pra tela pra ver gente animada em dançar. Mas a vernisságe estava bem animada seja pelas companhias agradáveis de Yara, Mayara e Clarissa ou seja pela discotecagem realizada por UgoSemHagah e JãoMeuBem (uahahaha dos mesmos realizadores de: "Polvos Esquisofrênicos e Pin Ups Circences"). E os artistas que foram chegando ao longo da noite animaram ainda mais o evento. Abaixo vocês podem até conferir um momento raro: eu dançando! uahahaha eu realmente me diverti!

Aquela galera da projeção é bem animada!

Yara, Clarissa e Mayara! Estou em ótima companhia!

Discotecagem em clima de Copa do Mundo! Bem animada!

Curtiu o som?

Uhuuuuuu! o/

Click mágico!

Oh não! Eu estou me sentindo iluminado! O flash da Clarissa me deu superpoderes e eu posso, eu posso...

... Eu posso dançar a noite toda!

Let's Dance! Primeiros casais a abrirem o salão!

Marcando os passinhos...

Nenhum pé da Yara foi pisoteado durante as fotografias...

Sim! Aquela galera do projetor está dançando animadamente até agora!

Todo mundo junt... bem, quase!

Agora sim! Todo mundo junto! :)

Que posso dizer além de Clarissa é fodona? Ela fez um trabalho questionador, interessante, inquietante, inteligente e outra séries de adjetivos bem empregados em uma cidade em que a cultura não é levada à sério! Cada exposição da Clarissa tem algo novo a dizer. Neste caso a temática foi sobre a cultura popular passada através da oralidade geração após geração mas isto depende de quem está vendo a arte. Algumas pessoas vão enxergar algo mais do que minha vista míope possa ter visto, outras terão boas lembranças do passado ou criarão boas lembranças no presente mas uma coisa é certa: Não se sai de uma exposição da Clarissa com o mesmo olhar de quando se entrou. Dizem por aí que não se pode tomar banho no mesmo rio duas vezes... Posso afirmar o mesmo de uma exposição da Clarissa. Esta exposição não é igual à exposição Polvos Esquisofrênicos e Pin Ups Circences, nem é igual ao Surrealismo POP: Freak Circus, ou igual Onde quer que seja... Não é o mesmo rio. Eu podia estar vendo pela primeira vez um trabalho da Clarissa hoje que eu ficara encantado da mesma forma que fiquei nas outras exposições mesmo não sendo o mesmo rio (as artes possuem a mesma fonte mas não é o mesmo rio).

Os fodões!

Olha só o que o Freak Circus trouxe no espetáculo deste mês!

A exposição vai até o dia 30 de Agosto no Bardallos. Lá vocês podem conferir com seus próprios olhos e tirar a suas próprias interpretações sobre as coisas que o povo diz. É melhor conferir com os próprios olhos do que com alguém te contando né? (E quem cochicha o rabo espicha). Hummm acho que já disse isso antes, mas sabe como é né? Seguro morreu de velho!

2 comentários:

art's wonderful disse...

Máxima verdade descrita por este cavaleiro das trevas e da luz! Mergulhar em uma das obras da fodona (como o mesmo intitula e que eu adaptei o fantástica= Fodástica) artista Clarissa é encontrar referências e aguçar seu olhar, suas obras nos encantam, nos fascinam e nos permite viajar em diálogos muitas vezes desconhecidos, uma busca por nós mesmos. Esta exposição em especial é um convite a referências de meu passado, que ficaram mais presentes através de uma artista tão peculiar,audaciosa e versátil. Vale a pena conferir e sim ela é fodona mesmo (dito em alto e bom som).

Joseniz disse...

:) É isso mesmo Yara! Assino embaixo!

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