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segunda-feira, 3 de março de 2025

Exposição Dona Militana: Tradução Estética de Narrativas da Romanceira Potiguar

 


Neste sábado, dia 08 de Março, na Pinacoteca do Estado, irá ocorrer a exposição "Dona Militana: Tradução Estética de Narrativas da Romanceira Potiguar". A exposição celebra os 100 anos do nascimento de Dona Militana, considerada a maior romanceira do Brasil, e homenageia sua trajetória e legado por meio de uma experiência sensorial e interativa. A abertura do evento contará com a participação de Zé Santana, Zé da Palha e Dona Benedita (filha de Dona Militana) e artesãos de São Gonçalo do Amarante. A exposição é gratuita e vai até o dia 28 de Março. Estão todos convidados!

 

 Exposição Dona Militana: Tradução Estética de Narrativas da Romanceira Potiguar

 

Local: Pinacoteca do Estado, Praça 7 de Setembro s/n, Cidade Alta (A praça fica em frente a prefeitura não tem erro!)

Dia e Hora: 08 de Março de 2025 (Sábado) das 10H às 16H

 

 

domingo, 20 de junho de 2010

Triste Romance


Recebi a triste notícia que a romanceira, Dona Militana Salustino do Nascimento, faleceu na tarde deste sábado aos 85 anos. Com a morte de Dona Militana uma parte importante da memória dos romances de tradição oral não será mais contada/cantada por uma voz anazalada e intensa. Ano passado, estive presente na apresentação de O Romanceiro, uma grande homenagem ao trabalho de Dona Militana, se não me falha a memória ela esteve presente para prestigiar a apresentação em vida. A memória... Eu já afirmei em um quadrinho que quando uma música não é mais cantada, e a pessoa que sabe morre sem repassar para alguém, tudo morre junto com ela. Infelizmente é assim que está sendo com a cultura popular. Cada vez mais ela está deixando de ser popular para se tornar elitizada para a apreciação de uma minoria privilegiada. Enquanto o que não acrescenta em muita coisa na cultura brasileira é empurrado, goela abaixo, em grande escala para a população, sendo vendida a idéia de que é uma coisa maravilhosa. Acredito que a melhor maneira de manter vivo o romance é cantar/contar. E isto está ficando cada vez mais difícil no momento... Deixo aqui as letras de dois romances de Dona Miitana para compartilhar com os leitores deste infame blog (se vocês conhecem mais algum compartilhem comigo e outras pessoas). Espero que alguém leia e conte/cante estes romances para outras pessoas e não esqueçam o quanto esta romanceira tem importância para a cultura Brasileira/Nordestina/Potiguar:

Dona Branca

Estava Dona Branca
Em mesa servindo ao seu pai

A sua saia levantada
E sua barriga empinada (bis)

Que é que tendes Dona Branca
Que eu te vejo desmaiada

Foi um copo d'água fria
Que eu bebi de madrugada (bis)

Manda chamar os doutor
Pra curar a enfermidade

Os doutor lhe responderam
Dona Branca está pejada (bis)

Me amarrem esta cachorra
Amarrem bem amarrada

Filha quer farsar seu pai
Só merece ser queimada (bis)

Botaram em uma torre
Com maior em demasia

O mais baixo que ela tinha
Palmo de terra não via (bis)

Tivesse meu mensageiro
Que mandasse o meus mandado

Eu mandava uma carta
A Dão Carlo de Montevar (bis)

Desceu um anjo do céu
Que de Deus veio a mandado

Fazei a carta Senhora
Que eu irei levar

Viagem de 15 dias
Eu a faço em um jantar

Se ele estiver dormindo
Deixarás ele acordar

Se ele tiver no passeio
Deixarás ele chegar

Se ele estiver jantando
Deixarás ele acabar

Abre-te portas e cortina
Varandas de par a par

Quero entregar uma carta
A Dão Carlo de Montevar (bis)

Dão Carlo pegou a carta
Pegou a ler e a chorar

Dava pinote na sala
Como um gatrilhão do mar (bis)

A c'roa mandou abrir
A barba mandou raspar

Oitocentos cavaleiros
Pra Dão Carlo acompanhar (bis)

Tenho mão minha justiça
Minha justiça rial

Essa infante que ai vai
Eu quero sentenciar (bis)

Lá em certos mandamentos
Um beijinho lhe quis dar

Boca que Dão Carlo beija
Não é pra frade beijar (bis)

Lá em outros mandamentos
Um abraço lhe quis dar

Corpo que Dão Carlo abraça
Não é pra padre abraçar (bis)

Cale a boca bela infante
Que usar este calar

Que eu sou o mesmo Dão Carlo
Que da morte eu vem livrar (bis)

Conde de Amarante

Que é que tendes minha filha- Dão, darão, darão
Que eu te ouço a soluçar- Dão, darão, darão (bis)
É de vê tudo cansada- Dão, darão, darão

Bota a cabeça na varanda- Dão, darão, darão
Escolheres o que quiseres- Dão, darão (bis)
O que eu quero é casado- Dão, darão, darão
É casado e tem família- Dão, darão, darão (bis)

Ô criado, ô criado- Dão, darão, darão
Eu quero o conde aqui- Dão, darão, darão (bis)
Quero que mate a condessa- Dão, darão, darão
Pra casar com minha filha- Dão, darão, darão (bis)

Quero que me traga a cabeça- Dão, darão, darão
Nesta dourada bacia- Dão, darão, darão (bis)

Que é que tendes meu marido- Dão, darão, darão
Que eu te ouço soluçar- Dão, darão, darão (bis)
É o rei senhor, senhora- Dão, darão, darão
Que quer qu'eu mate a condessa- Dão, darão, darão
Pra casar com sua filha- Dão, darão, darão (bis)

Bota a mesa a criada- Dão, darão, darão
Pra comer por despedida- Dão, darão, darão (bis)

Se sentaram-se na mesa- Dão, darão, darão
Nem um nem outro comia- Dão, darão, darão (bis)
Que as lágrimas eram tantas- Dão, darão, darão
Que pelos prato corria- Dão, darão, darão (bis)

Forra a cama criada- Dão, darão, darão
Pra dormir por despedida- Dão, darão, darão (bis)

Se sentaram-se na cama- Dão, darão, darão
Nem um nem outro dormia- Dão, darão, darão (bis)
Que as lágrimas eram tantas- Dão, darão, darão
Que pela cama corria...- Dão, darão, darão (bis)

Ô criada, ô criada- Dão, darão, darão
Me dá lá esse menino- Dão, darão, darão
Pra mamar por despedida- Dão, darão, darão

Mama mama meu filhinho- Dão, darão, darão
Esse leite de amargura- Dão, darão, darão (bis)
Que amanhã por esta hora- Dão, darão, darão
Estarei eu na sepultura- Dão, darão, darão (bis)

Sino na Sé tá tocando- Dão, darão, darão
Meu bom Deus quem morreria?- Dão, darão, darão
Pra me fazer companhia- Dão, darão, darão

Foi aquela bela infante- Dão, darão, darão
Quer descasar os bem casados- Dão, darão, darão
Coisa que Deus não queria- Dão, darão, darão (bis)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Romanceiro




Antes de falar sobre o espetáculo vou falar sobre dois pontos importantes para o entendimento da importância do mesmo:

Romance

Romances são poemas musicados, cujas raízes mais profundas mergulham na Idade Média (476-1453 D.C.), particulamente, nos séculos das Cruzadas (1096-1270). Esta é a fase áurea da cavalaria, em que a bravura dos cavaleiros cristão deu origem às canções de gesta (canções que celebravam grandes feitos) traduzindo em verso e canto, as aventuras dos Cruzados. Eram longos poemas, com centenas de estrofes, transmitidos oralmente, antes do advento da imprensa e perpetuados fielmente, pela memória popular. Os romances existiram com outras demnominações, em diferentes países europeus, mas foi em Portugal e na Espanha que eles ganharam maior projeção.

O estudo do romance no Brasil possui duas grandes vertentes: O Romanceiro Ibérico (de Portugal e Espanha) e o Romanceiro Brasileiro.

Fonte: Espaço e Tempo do Folclore Potiguar- Folclorista Deífilo Gurgel

Corajosos cavaleiros medievais

Dona Militana
Dona Militana Salustino do Nascimento nasceu em Barreiros, no município de São Gonçalo do Amarante/RN, no dia 19/03/1926 e reside no Sítio Oteiro no mesmo município. é uma importante romanceira do brasil, condecorada pelo presidente da república, excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva em 2005 e diversas vezes homenageada. Ela é uma das últimas romanceiras do país e através de seu canto ela conta histórias que aprendeu de seu pai através da tradição oral.

Dona Militana

O espetáculo "O Romanceiro" tem como base os antigos romances e canções de Dona Militana, eles são transportados em cena através de representação teatral (em alguns momentos de modo bem ritualístico) da dança e da música com diversos artistas de Barreiras e Diogo Lopes/Macau. As histórias contadas são trágicas e algumas delas são trágicas mas contadas/cantadas de forma engraçada. O espetáculo foi excelente tanto esteticamente como culturalmemente e mantém vivo os romances cantados por Dona Militana. Até os mínimos detalhes como pequenos espelhos colocados no figurino contribuíram para cena refletindo a luz no teto, causando um efeito de iluminação bem aproveitado. Quando o espetáculo terminou fiquei com as músicas na cabeça e lembrando das cenas, foi algo único e, felizmente, tinha diversas pessoas presentes para contar/cantar a história.

O Romanceiro
Dança Teatro Musical
Baseado nos romances e cantigas de Dona Militana

Pesquisa, concepção e direção geral: Véscio Lisbo
Preparação de atores e direção de ensaios: Adailton Damacena
Direção executiva: Nereleide Samara
Trilha Sonora e Direção musical: Elnatan de Souza
Iluminação, Direção e cortesia: Castelo Casado
Maquiagem: Tushir
Figurinos: Artesãs da RDS Ponta do Tubarão
Coreografia: Ronaldo Damas
Coreografia e figurinos dos bailarinos: Alex Vinícius
Direção artística do Grudanporan: Alana Oliveira
Técnica de som: Cristiano Weine
Xilogrvuras: Cibele de Oliveira
Apoio: Marcelo Mariano

Elenco:
Aline Cristina
Anderson Queiroz
Cassio Leandro
Charles Van
Erick Cardoso
Fabrício da Silva
Francielly Soraia
Francisco Diogo
Francisco Erivonildo
Getúlio Breno
Helaine Cristina
Hully Marques
Irandson do Nascimento
Isabele Rossana
Jayne Silva
José Wilkson
Kleiton Queiroz
Lázaro Lopes
Lindecleupe Ferreira
Marcio Damacena
Mauricélio Damaceno
Neilton Kleiton
Pedro Sérgio
Rafael Rodrigo
Sergio Henrique
Wellington Nascimento
Bailarinos:
Alana Oliveira
Aline Costa
Alex Vinicius
Maria José
Janaina Keila
Ailton Barbosa
Ericlenio Carlos
Rafael Santiago


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